Quadril estalando no bebê: é normal ou sinal de alerta?

Postado em: 08/09/2026

Quadril estalando no bebê: é normal ou sinal de alerta?

Ouvir um estalo no quadril do bebê durante a troca de fraldas ou ao movimentar as perninhas costuma preocupar os pais. Na maioria das vezes, esse barulho faz parte do desenvolvimento normal. No entanto, em algumas situações, pode indicar uma alteração na articulação que merece avaliação médica.

Nos primeiros meses de vida, o quadril do bebê ainda está em formação. Por isso, pequenos estalos podem ser normais. Quando são frequentes ou estão acompanhados de dificuldade para abrir as pernas, assimetria das pregas das coxas ou diferença no comprimento dos membros inferiores, é importante investigar a causa. 

Neste artigo, você vai entender por que o quadril do bebê pode estalar, quando esse achado é considerado normal, quais sinais de alerta merecem atenção e em quais situações é recomendado procurar um ortopedista pediátrico.

O que significa quadril estalando no bebê?

O estalo no quadril do bebê é um som ou uma sensação de “clique” percebida ao movimentar as pernas, principalmente durante a troca de fraldas ou ao flexionar os quadris. Na maioria das vezes, esse barulho ocorre porque tendões, músculos e ligamentos deslizam sobre a articulação, que ainda está em processo de amadurecimento.

Isso não significa, necessariamente, que exista um problema no quadril. Muitos bebês apresentam estalos ocasionais sem qualquer alteração no desenvolvimento ou necessidade de tratamento.

Em alguns casos, no entanto, o estalo pode estar relacionado à Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ), condição em que a articulação não se desenvolve adequadamente e apresenta instabilidade. Nesses casos, o diagnóstico precoce favorece um tratamento mais simples e melhores resultados. 

É importante lembrar que nem todo estalo indica displasia, assim como nem todos os bebês com displasia apresentam estalos. Por isso, o som deve ser analisado em conjunto com o exame físico e outros sinais clínicos.

Estalo benigno x estalo associado à instabilidade

Nem sempre é possível diferenciar um estalo normal de uma alteração no quadril apenas pela observação em casa. O diagnóstico depende da avaliação do pediatra ou do ortopedista pediátrico.

Em muitos casos, o estalo é ocasional e não está associado a alterações no movimento, assimetria das pernas ou desconforto.

Quando existe instabilidade do quadril, podem aparecer outros sinais, como dificuldade para abrir as pernas, limitação dos movimentos ou alterações percebidas durante o exame físico.

Por isso, a presença de estalos frequentes ou acompanhados de outros sinais deve ser avaliada por um especialista, que poderá indicar exames complementares quando necessário.

Quais são os sinais que podem acompanhar o estalo no quadril?

Embora um estalo isolado não represente motivo para preocupação, alguns sinais merecem atenção porque podem indicar alterações no desenvolvimento do quadril. Observar esses indícios durante os cuidados diários ajuda a identificar precocemente situações que precisam de avaliação médica.

Checklist prático para observar em casa

Durante a troca de fraldas ou o banho, observe se o bebê apresenta:

  • Dificuldade para abrir as pernas, percebendo que um dos lados oferece mais resistência ao movimento;
  • Assimetria das pregas das coxas, quando as dobrinhas aparecem em alturas ou quantidades diferentes entre um lado e outro;
  • Diferença aparente no comprimento das pernas, percebida quando os joelhos ficam em alturas diferentes com as pernas dobradas;
  • Estalos frequentes percebidos sempre no mesmo lado;
  • Desconforto ou choro ao movimentar as pernas, embora muitos bebês com alterações no quadril não apresentem dor.

A presença de um desses sinais não confirma um diagnóstico, mas indica que o bebê deve ser avaliado por um especialista.

Quando o quadril estalando no bebê pode ser sinal de alerta?

Em alguns casos, o estalo pode estar relacionado à Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ), condição em que a cabeça do fêmur e o acetábulo — estrutura da pelve que forma o encaixe do quadril — não se desenvolvem de forma adequada.

Dependendo do grau de instabilidade, o quadril pode apresentar desde um leve afrouxamento até o deslocamento da articulação. Se não for identificada e tratada precocemente, a DDQ pode comprometer a marcha e favorecer problemas ortopédicos ao longo da infância e da vida adulta.

Por outro lado, quando o diagnóstico é feito nos primeiros meses de vida, as chances de sucesso do tratamento são maiores, muitas vezes evitando procedimentos mais complexos no futuro.

Fatores de risco que aumentam a atenção

Alguns fatores aumentam o risco de displasia do desenvolvimento do quadril. Entre os principais estão: 

  • Sexo feminino;
  • Apresentação pélvica, quando o bebê permaneceu sentado ou de nádegas no final da gestação;
  • Histórico familiar de displasia do quadril;
  • Primeiro filho;
  • Oligoidrâmnio (pode estar associado, principalmente quando relacionado à restrição de espaço intrauterino). 

A presença de um ou mais fatores de risco não significa que o bebê desenvolverá a doença. No entanto, esses casos merecem acompanhamento mais cuidadoso e, em algumas situações, podem justificar a realização de um ultrassom do quadril, mesmo quando o exame físico é normal.

Como é feita a avaliação do quadril do bebê?

A investigação começa com o exame físico, realizado pelo pediatra ou pelo ortopedista pediátrico. Durante a consulta, o médico observa a movimentação das pernas, avalia a amplitude de abertura dos quadris e verifica se há sinais de instabilidade na articulação.

Esse exame é rápido, indolor e faz parte da avaliação de rotina dos recém-nascidos e lactentes. Mesmo quando o bebê não apresenta dor ou dificuldades aparentes, ele é importante para identificar alterações que podem passar despercebidas pelos pais.

Além do exame físico, o especialista considera também fatores de risco, histórico familiar e as observações feitas pelos responsáveis para decidir se há necessidade de investigação complementar.

Quando o ultrassom do quadril é indicado?

O ultrassom do quadril é o principal exame de imagem utilizado para avaliar essa articulação nos primeiros meses de vida. Ele costuma ser solicitado quando o exame físico apresenta alguma alteração ou quando o bebê possui fatores de risco para DDQ.

De forma geral, quando indicado, o exame costuma ser realizado nas primeiras semanas ou meses de vida, conforme a avaliação médica e os fatores de risco. Como utiliza ondas de ultrassom, não emite radiação, é indolor e não exige jejum ou qualquer preparo especial.

Em crianças maiores, quando o quadril já apresenta maior ossificação, o médico pode indicar outros exames de imagem, como a radiografia.

Quando procurar um ortopedista pediátrico?

É recomendado procurar um ortopedista pediátrico quando o bebê apresenta estalos frequentes, principalmente sempre no mesmo lado, ou quando esse achado vem acompanhado de sinais como dificuldade para abrir as pernas, assimetria das pregas das coxas ou diferença aparente no comprimento dos membros inferiores.

Também é indicada quando existem fatores de risco para displasia do quadril em bebês, mesmo sem sintomas aparentes. 

Na maioria das vezes, a consulta serve para confirmar que o desenvolvimento está ocorrendo normalmente e tranquilizar a família.

FAQ – Perguntas frequentes sobre quadril estalando no bebê

É normal ouvir um estalo apenas uma vez?

Sim. Um estalo isolado, sem outros sinais associados, geralmente faz parte do desenvolvimento normal. O ideal é observar se o barulho volta a acontecer, se ocorre sempre no mesmo lado ou se surgem outros indícios que mereçam investigação.

O ultrassom do quadril dói ou precisa de preparo?

Não. O ultrassom do quadril é um exame rápido, seguro e indolor. Ele não utiliza radiação, não exige jejum e pode ser realizado com o bebê acordado, permitindo avaliar a formação da articulação de forma detalhada.

Carregar o bebê pode provocar estalos no quadril?

Não. A forma de carregar o bebê não causa displasia do quadril. No entanto, posições que respeitam a anatomia natural da articulação contribuem para um desenvolvimento saudável. Sempre que possível, prefira carregar o bebê com os quadris flexionados e afastados, na chamada posição em “M” (com os quadris flexionados e afastados) ou posição de “cavalinho”, que mantém os quadris em uma posição considerada mais adequada para o desenvolvimento da articulação. 

O que fazer se você ouviu um estalo no quadril do seu bebê?

Um estalo no quadril do bebê nem sempre indica um problema. No entanto, se ele for frequente, ocorrer sempre no mesmo lado ou surgir acompanhado de outros sinais, procure orientação especializada.

A Dra. Tyala Oliveira, ortopedista pediátrica, reforça que a avaliação precoce é a forma mais segura de identificar possíveis alterações e, quando necessário, iniciar o tratamento no momento mais adequado.

Dra. Tyala Silva Oliveira Ortopedista e TraumatologistaCRM: 244845/SP l RQE: 139585TEOT – Ortopedia e Traumatologia – 19657TEPOP – Ortopedia Pediátrica- 1067